sexta-feira, 30 de julho de 2010

Juíza salva vida de bebê da seita Testemunha de Jeová

O bebê E.B.A.M. tinha 14 dias e estava em um hospital com insuficiência respiratória e anemia.


O seu maior problema, contudo, era outro: ele nasceu em uma família da seitaTestemunhas de Jeová, que não permite que os fiéis e seus filhos recebam transfusão de sangue. E era a única coisa que poderia salvá-lo.

O Hospital Austa, de São José do Rio Preto (SP), recorreu à Justiça e obteve autorização para submetê-lo a uma transfusão de emergência, o que ocorreu na quinta (4).

Agora, E. passa bem ? para o descontentamento de sua família.

Com autorização judicial, o Austa já tinha salvo em 2002 uma criança de pais Testemunhas de Jeová.

Um dos líderes da igreja no Brasil, o ancião Jefferson Liebana, disse que a crença e os valores dos fiéis são violados quando ocorre uma transfusão.

Ele fez uma comparação forte: ”A transfusão forçada é considerada um ato de estupro. Perante Deus, somos vítimas. A culpa cabe a quem violou a ordem bíblica”.

Ou seja, para Liebana, no caso, a culpa é de quem salvou o bebê: a juíza substituta Milena Repizo Rodrigues Kojo, que deu ok para o procedimento, e os médicos do hospital.

O pesquisador de judaísmo e professor de história Ivan Esperança Rocha, da Unesp, afirmou que os Testemunhas de Jeová estão equivocados.

Disse que a Bíblia ressalta que não se pode comer o sangue de animais, o que acabou sendo entendido como válido também para o sangue dos humanos. “E a proibição de ingerir sangue se estendeu a recebê-lo nas veias.”

Osni Assis Pereira, juiz titular da Vara da Infância da cidade, contou ao Diário da Região que já concedeu a médicos dez pedidos para transfusão de sangue.

“Sou protetor da vida das crianças, e o argumento religioso não tem o menor sentido. O direito à vida se sobrepõe aos demais”, disse.

Fonte: e-paulopes

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